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Erros e acertos na relação pais e filhos

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Recebo no consultório, histórias das mais variadas, contadas do ponto de vista de uma criança, de um adolescente, de um adulto ou de um pai e de uma mãe.

Papo vai, papo vem. Camadas vão sendo desconstruídas, liberadas e num trabalho de resgate da essência que habita em cada um de nós, vamos nos aprofundando no processo de autoconhecimento.

Nessa jornada, invariavelmente, vêm à tona memórias da infância, marcas significativas da relação com o pai, da relação com a mãe. Algumas positivas, outras nem tanto.

Ouvindo os dois lados dessa relação, o lado dos pais e o lado dos filhos, observo o seguinte:

De um lado, um pai e uma mãe dando o seu melhor. Do outro, um filho que recebe desses pais, mas nem sempre, ele recebe o que os pais entregam da maneira que os pais gostariam que os filhos recebessem.

E aí começam as dores.

Identificando os erros

– Uma mãe que diz que faz “tudo pelos filhos” e que trabalha compulsivamente pra dar “o melhor” a eles. Do ponto de vista da mãe, ótimo! Ela está fazendo “tudo” que está ao seu alcance. Mas do ponto de vista do filho, quem está em primeiro lugar é o trabalho. É pra ele que a mãe dirige seu tempo, sua atenção. Pouco sobra da presença dessa mãe para o filho e o vínculo entre eles é mais frágil do que ambos gostariam.

– Um pai que quer “endireitar” o filho e para isso faz uso da violência, do abuso físico e verbal, da chantagem emocional, e com o objetivo de fazer o filho “andar na linha” e se “comportar” dentro daquilo que o pai acha que é o correto. E acaba colhendo mais frutos negativos do que frutos positivos na relação com seu filho. Do ponto de vista do filho, receber uma visão tão negativa de si mesmo, vinda dessa figura de referência, seu pai, faz se sentir sem valor, com autoestima baixa e com muita culpa por não conseguir agradar o pai. E com essa visão tão negativa de si mesma, acaba se envolvendo ainda mais em situações e comportamentos inadequados.

Enfim, esses são só alguns poucos exemplos de como o que um pai/mãe deseja passar a seu filho, nem sempre é o que o filho recebe.

Na maioria dos casos, é na melhor das boas intenções que os pais tomam decisões em relação a seus filhos.

O que fazer para evitar situações e “estragos” como esses?

A resposta: Tomando decisões com mais consciência, olhando para as situações em uma perspectiva mais ampla. Onde o pai avalia sua posição mas também, empaticamente, se coloca no lugar do filho, tenta olhar para a situação com o olhar do filho.

Construindo os acertos

Primeiro ponto. A perfeição! Abandone a ideia de ser um pai ou uma mãe perfeitos. Encare a ideia que na melhor das suas intenções, você vai acertar, mas vai errar e vai falhar também.

Assim, o erro é uma possibilidade de aprendizado, de encontrar uma nova possibilidade de fazer melhor. Você não precisa acertar e estar certo sempre. Você é humano, e humanos não são perfeitos, eles erram.

Assumir isso pode ser difícil perante os filhos, mas pode ser o início de uma grande possibilidade de fortalecer o vínculo entre vocês.  E à medida que as crianças crescem, elas também podem ajudar nesse processo de encontrar novas saídas, isso traz um empoderamento positivo a elas.

Ver que os pais lidam de maneira saudável com os próprios erros, é o melhor dos aprendizados para uma criança, pois permite que essa faça as pazes com seus próprios erros e permita-se a, criativamente, encontrar novas possibilidades.

Segundo ponto: Um pai e uma mãe precisam ter consciência da sua história pessoal, da sua relação com os pais, quando estavam na posição de filhos.

Conseguir olhar com tranquilidade para esse passado, nem sempre é fácil. Mas é somente quando olhamos e tomamos consciência do que foi bom e do que foi ruim, que podemos fazer as pazes com nossa história, e decidir conscientemente o que deixaremos no passado e o que levaremos conosco para nossa relação com nossos filhos.

Nossos pais também erraram, e muito provavelmente, eles tinham uma boa intenção por trás de cada ato que nos causaram dor. Ou simplesmente não tinham consciência do que estavam fazendo e acabavam reproduzindo algo negativo que receberam e não conseguiam fazer diferente.

Nutrindo a criança interior

E para que hoje, você mãe e você pai, consiga fazer diferente, visite sua história com esse olhar. Encontre-se com sua criança interior e veja como ela está.

Caso ela esteja triste, adormecida, abandonada, desnutrida, machucada, cuide dela. Nutra sua criança interior. Indenize-se. Faça por você, hoje, aquilo que não fizeram. Hoje, VOCÊ pode fazer isso por você mesmo.

E assim, você se fortalece e se capacita para ter uma melhor conexão com seus filhos, minimizando os erros e possibilitando a construção de mais acertos.

Você vai precisar da sua criança interior, saudável e nutrida emocionalmente, para conseguir se conectar com a criança que é o seu filho. Brinque mais, cante, pule, dance, permita-se, use a imaginação, liberte sua criatividade, pinte e borde!

Com esse olhar mais amplo e mais consciente para sua vida e para sua relação com seus filhos, ainda assim, você irá errar e falhar, mas irá lidar com isso de uma forma bem diferente. E imagino que os erros serão menores e mais leves, e não terão consequências tão duras e difíceis para os seus filhos.

E nessa relação vocês vão se constituindo, pais e filhos, parceiros dessa jornada de crescimento, aprendizado e evolução, chamada maternidade e paternidade, que com esse olhar de mais consciência, gostamos de chamar de Parentalidade Consciente!

Seja bem-vindo a esse Universo! E para saber mais sobre esse novo olhar para a relação entre pais e filhos, acompanhe o conteúdo da página A Criança do Futuro no Facebook e Instagram.

 

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